As conversas entre pessoas ocorrem por meio de trocas de estímulos e respostas. Cada um dos participantes se manifesta a partir de um Estado do Ego, que pode ser Pai, Adulto ou Criança. Esse encontro de Estados do Ego constitui o que chamamos de transações. A teoria da Análise Transacional, desenvolvida por Eric Berne, propõe que, para compreender a comunicação, precisamos identificar quem fala e para quem se fala. Assim, o termo “transação” descreve o ato de um emissor enviar uma mensagem que é recebida pelo Estado do Ego de outra pessoa.
Existem diversos tipos de transações, mas este capítulo se concentrará nas principais classificações: as complementares, as cruzadas e as ulteriores. Cada uma revela um modo distinto de interação.
Uma transação complementar ocorre quando o estímulo que parte de um determinado Estado do Ego recebe uma resposta a ele correspondente. As setas no diagrama transacional se mantêm paralelas, o que significa que a mensagem segue o mesmo caminho da resposta. As transações Adulto-Adulto, Pai-Criança ou Criança-Pai são exemplos conhecidos de trocas complementares. Elas propiciam uma comunicação fluida, pois não há conflitos evidentes. As pesquisas de Berne indicam que, enquanto as transações forem complementares, a conversa prosseguirá de modo estável. [1]
As transações cruzadas surgem quando a resposta não volta ao Estado do Ego que emitiu a mensagem. Nesse caso, as setas se cruzam, e a comunicação sofre um rompimento. O emissor pode falar a partir do estado Adulto, mas o receptor devolve a mensagem de seu estado Criança ou Pai, em vez de responder em Adulto. Assim, a conversa muda de curso ou cessa completamente. Esse tipo de troca representa a origem de muitos problemas em diversos níveis, sejam históricos, conjugais ou ocupacionais. [2]
Alguns autores falam em subtipos de transações cruzadas, como a “Transação Cruzada Tipo I”, em que um estímulo Adulto-Adulto recebe resposta Criança-Pai, e a “Transação Cruzada Tipo II”, na qual o estímulo Adulto-Adulto recebe resposta Pai-Criança. Ambas interrompem o diálogo a ponto de, muitas vezes, demandarem um reinício ou uma mudança de assunto para que as partes se compreendam. [3]
As transações ulteriores envolvem mais de um Estado do Ego simultaneamente. Há um nível social, explícito, e um nível psicológico, oculto. Berne distingue duas formas principais nesse tipo: a transação angular, em que o emissor mobiliza Estado do Ego diferente daquele que aparenta, e a transação duplex, em que duas mensagens seguem em paralelo, porém em níveis distintos. [4]
Nas transações angulares, por exemplo, o emissor parece falar do Adulto para o Adulto do outro, mas na verdade pretende atingir o Pai ou a Criança do interlocutor. A linha visível permanece no nível Adulto-Adulto, enquanto uma linha pontilhada indica a intenção oculta de envolver outro Estado do Ego. [5]
Já nas transações duplex, a complexidade aumenta, pois o emissor pode dizer algo de Adulto para Adulto e, ao mesmo tempo, insinuar algo de Criança para Criança, sem que seja explicitamente verbalizado. Várias combinações são possíveis, mas poucas têm relevância prática no cotidiano. [6]
Conhecer os diferentes tipos de transação fornece um mapa valioso para a resolução de conflitos e para o aprimoramento das relações humanas. Quando percebemos que uma conversa se tornou cruzada, por exemplo, criamos a oportunidade de interromper o padrão e tentar reestabelecer o nível Adulto-Adulto. Isso facilita a negociação, a escuta ativa e a empatia. Em ambientes como o trabalho, a família ou a escola, essa consciência ajuda a evitar rupturas de comunicação e a fortalecer vínculos.
Para aprofundamento, algumas das obras que integram estudos de Análise Transacional oferecem explicações, exercícios e modelos de aplicação na prática diária (BERNE, 1961). Nessas referências, o leitor poderá encontrar descrições mais minuciosas de cada subtipo de transação, com representações gráficas e casos clínicos. Esse aprofundamento permite ao interessado agir de forma mais consciente e construtiva nos diferentes contextos de convívio.